domingo, 30 de janeiro de 2011

PEDIDO


É urgente que venha alguém, que me ajude a desfazer este silêncio
A quebrar correntes e me tirar desta cela onde sou meu desatino
Que me ajude a pendurar a minha história num pedaço de luar
A colocar minha vida em um barco, mas que navegue pelo ar
Estou atrás de uma porta sem saída, sem saber o meu destino
Neste momento de completa solidão preciso de alguém, que me tome pela mão
Que me traga poesia e encha meu mundo de cor
Que me traga um pote cheio de esperanças e leve embora a minha dor
E, se não for pedir muito, traga flores perfumadas
Daquelas feitas por pequenas mãos de fadas
Que me traga sentimento, que me inflame as artérias e aqueça o peito
Alguém que condense todos meus os sentidos em um só instante
Que jogue fora a lucidez
E coloque luz numa caixinha de música para que os anjos dancem conosco
Preciso de alguém que me prenda com fios transparentes à sua alma com amor

Preciso que venha urgente, sem demora, por favor...

- J'amour -

FANTASMAS





Sinto na nuca um arrepio nesta noite parada.
Um despertar de sentidos tão denso e tangível.
Como olhar, tomar mas mãos e cheirar um fruto maduro.
Um morango vermelho que eu pudesse morder e me lambuzar.
Saciando vontades de quem não tem medo do escuro.
De quem também já perdeu o medo das noites sem luar.
Sigo soltando palavras pelo vento perfumado.
Na urgência de serem verbalizadas mesmo sem sentido algum.
Perfeita noite para se perseguir fantasmas...

Fantasmas de quem acha que os fantasmas não existem.

- J'amour -

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

RECORDAÇÃO


Quem eu sou? Um raio de luz?
Eu te digo nessa hora calma: Serei.
Mas o que agora sou, nem eu mesma sei.
Serei uma átimo de delicado lume.
A rasgar o ventre da noite como um gume.
Como aço fiel, de fria espada.
E então a sangrar a madrugada, criarei asas:
Asas douradas, delicadas. E voarei!
E por onde flutuar deixarei meu perfume.
A essência que me resume:
LIBERDADE, onde eu mesma me cativo.
Numa rosa suave e delicada, num nada.
Eu vivo. E respiro minha própria dor.
Em uma vida de sonhos e realidade.
E você me vê em serena dança pelo ar.
Preso ao chão, sente o peso dos dias a passar.
Dias que passas a tentar me esquecer.
Ah, como é triste ver um guerreiro lutar em vão.
Sou a tua recordação, tua única verdade.
Sou mais, muito mais ainda:
Agora já sou a tua SAUDADE.

- J'amour -


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sempre Brotam Flores


'Chega de dor, saio agora à procura da felicidade', disse ela um belo dia.
E lá se foi.
Retornou à casa pouco depois.
É...não havia sido dessa vez
.

Mas agora volta com a certeza no coração.

Que sempre brotam flores, basta haver terra.

Basta haver chuva, sol e primavera.
Tem certeza que é possível amar de novo.

Na mesma certeza que à primavera segue o verão.

Outra vez sai com o amor nos olhos...

E o coração aos pulos.

Renascida como um dia que finda e que em outro dia se refez.


Como sempre.
E como se fosse a primeira vez.


- J'amour -


domingo, 11 de julho de 2010

Sonhadora


Sou uma sonhadora sim.
E quando eu acordar...
Você poderá ter roubado todos os meu sonhos.

Mas jamais quebrará o meu espírito!

.

J'amour



(Fiat justitia ruat caelum).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CORAÇÃO VALENTE


Meu coração valente
não é tão intrépido
que ofereça risco
na investida que faz.


Se estou contigo,
ora seduzindo,
ora seduzida, é
porque os papéis
eu troco graciosamente.


Troco olhares,

me viro do avesso
e me desvelo.


Tudo sabes
do meu passado,
dos meus horrores
e da minha doçura
guardada a sete chaves.


Do meu amor que é chama lenta
ao contrário dos movimentos
bruscos que ameaço.


Ouves, criticas,
te enraiveces...
Mas quando me acolhes
quebras todas as trancas
e o meu castelo é teu.
Dou-te livre entrada
e livre arbítrio.


E espero que fiques
sem jogos, sem truques,
sem meias-palavras,
mesmo que não gostes
de todas as faces de mim.


Tua necessidade da verdade,
qual a minha,
nos envolve num céu
estrelado e aberto
cujos mistérios
não são armadilhas, mas sim
estrelas a serem descobertas.


E quando dás um nome
a cada novo astro,
batizas a minha vontade
de estar contigo.
E quando entendes
as minhas lágrimas vertidas
por mais que em vão,
ganhas o meu sorriso
cada vez mais luminoso.


Sou a rainha das bobagens,
das tempestades em copos d'água.
E tu és o que verte
a minha impertinência.
O que me vê do outro lado do espelho,
rasga o meu desassossego
e esfrega em minha cara
a senha da felicidade
sem artimanhas
que às vezes eu cismo
em complicar.
E quando pareço fraca
vencida por lanças envenenadas
arrancas as setas
aplicas o antídoto,
e me enches de coragem.


Não me emprestas a tua valentia,
mas me lembras da minha.


Somos dois seres
crescendo.

Lado a lado.
Inteiros.
Íntegros
Integrados...

.

J’amour


FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

Todo dia.






quinta-feira, 10 de junho de 2010

HOJE DECIDI


Hoje decidi, que decidi te esquecer.


Mas como posso, se tudo me lembra você?

A casa sente falta dos seus passos e até o espelho não quer mais refletir.

A cama vazia dobrou seus espaços, me negando o doce esquecimento de dormir.

Insiste em lembrar-me a cada momento, seus braços, onde repousava meu amor e meus cansaços.


Mas entenda bem, hoje eu decidi que decidi te esquecer.


Escuta?

O silencio grita o teu riso, e ecoam ainda nas paredes, teus gemidos de prazer.

Sala, quarto, cozinha, cada canto que era nosso, e até a velha poltrona onde lias, hoje se encolhem aos meus olhos opacos, por não mais te ver.

O cinzeiro vazio, parado, parece exalar a fumaça do cigarro, que antes eu insistia em impedir.

Agora, cruel ironia, fico olhando fascinada e o toco lentamente, como se fosse sagrado o que antes nada valia.

Sinto nos lençóis lavados o teu cheiro almiscarado, como se em minha pele para sempre tivesses ficado.

Marcada.

Tatuada com tinta invisível, enquanto desenhavas meus contornos com dedos de artista.

Mas agora vês?


Hoje decidi, que decidi te esquecer.


.


J’amour