domingo, 18 de outubro de 2009

Chão de Estrelas


Hoje lembrei de você.
Me perguntei onde andarás.
Olhando o chão coberto de luzes ao anoitecer.

Se misturando com as estrelas no firmamento.
Passavam tão perto de mim que tive a ilusão de andar nas nuvens.

Confundindo-me, e já não sabia o que era céu ou terra.
Ao alcance das minhas mãos: chão de estrelas.
Que se acendem e se apagam como minhas lembranças.
Novamente me perguntei: será que você já viu um lugar assim encantado?
Entrei em casa e apaguei todas as luzes para poder ver melhor,

e esconder as lágrimas insistentes.
Qualquer dia juro que te esqueço, e não vou lembrar quando o vento soprar,

e tocar meu corpo numa carícia, nem quando o sol se pôr para encontrar a lua.
Não lembrarei de você quando chove e o perfume da terra molhada me inebria.
Ou então quando o chão fica coberto de estrelas ao anoitecer.
Estou cansada .
Será algum tipo de encantamento ou castigo?
Te sentir.

Te querer.

Sem estar contigo.
Minha ilusão ou loucura.
Se a vida não quis que te encontrasse,

por quê deixou uma parte de você gravada à ferro em mim?

Olho mais uma vez os vaga-lumes antes de dormir...

Tantas coisas gostaria de contigo dividir.

Um fim de tarde.

Doce água a banhar nossos corpos.

O sol e a lua.

O vento.

Um chão de estrelas.


Um momento...

.

J'amour

domingo, 11 de outubro de 2009

Fênix


Na chama que ora ardo, me consumo e vejo ao mirar
Labaredas, nuvens e fuligem
Indicando que aqui jaz um coração ardente

Em brasa, que de tanto amar também se consumiu...
Nas nuvens que agora o vento sopra e carrega
Vejo desenhos circunscritos em finíssimas espirais

A formarem lentamente, imagens tintas, vitrais...

Ora corações, ora anjos, ora sangue, ora fogo, ora teus olhos

Nesta constante consumação e ardor, desenhos na fumaça

Dançam e serpenteiam no vento, como a debochar deste coração
Na brasa que embora ainda arda

Fenece a lembrar deste amor
Gota a gota, uma lágrima...
E o fogo...
E o fogo que acalentava rugindo, foi...

Lambendo...Labaredas

Ora, pois que os ventos levem os desenhos da fumaça

Me deixando mesmo em sangue e lágrima

Coração em brasa!

...Sou Fênix.
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J'amour

Navega


Singra meu AMOR por estes mares se é o que quer.

Vai, navega pelo azul das ondas com o peito aberto ao que vier.

Iça as velas coração, desliza no azulado entardecer.

Sinta sem buscar a razão da vida que precisa acontecer.

Segue ventos, não irás sozinho.

Lá onde o céu mergulha e beija o mar há outros corações meninos, sorrindo de prazer em navegar.

Bordeja entre as estrelas rasga com a quilha a constelação.

Qual corsário as rouba, e guarda ali meu coração.

Vai, navega meu AMOR por estes mares se é o que quer.

Navega pelo infinito, com o peito aberto ao que vier.

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J'amour


(Pintura de Edward Hopper)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Espuma


Quando tu eras porto e eu mar,
tudo era simples, eu era calmaria.
Agora procuro um quarto escuro
onde desabar as minhas defesas.
A desejar que novamente me atravesses
a voz com um beijo, levando meu cansaço.
É nessa escalada de breu e desassossegos,
que procuro uma açucena, uma semente
que possa germinar em meio a tempestade,
um farol no seu olhar a novamente me guiar.
Pois no clarão das tuas palavras sou tudo.
Sou estrela da manhã, rosa do vento, tábua
de marés, a fazer espuma entre teus dedos.

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J'amour

É por Ti


SE MUY BIEN QUE DESDE ESTE LUGAR
YO NO LLEGO A DONDE ESTAS TU...


y aunque dentro de mi copa está reflejada en tu fría luz
la bebere servir y acabada...

Luz Casal




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Em ti descobri o pouco que resta de mim
Se sigo é por ti
Se fico também
Se vivo é porque vives
E só tem sentido se vivo por ti
(o pouco que ainda resta de mim)
.
J'amour

domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a la VIDA



Mas seu eu morrer eu quero festa.
Eu quero o riso doce, louco e preciso.
Eu quero uma bandinha na varanda.
Um lenço colorido ao vento.
O som da música me levará ao meu destino...
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J'amour

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Caminho



Caminho...

Um andejar entre ilusão e acreditar.
A questionar a possibilidade de ter algum dia uma estabilidade merecidamente conquistada, sem esta constante incerteza.
Não sei lidar com a incerteza, nunca soube.
Mas continuo a reger-me pelo sentimento, pelo achar que lutar basta.
Agora já não sei.
Já não sei se luto pelo irreal ou pela possibilidade da felicidade.
AMOR
Firo-me silenciosamente, lentamente sorvo este veneno, pouco a pouco me intoxico.
E quando tudo culmina vejo-me encurralada no que gostaria que fosse e no que É.
Busco a mágoa para evitá-la.
Digo não sentir para esquecer.
No entanto, com certo receio percebo que tudo permanece sempre igual.
Basta um segundo para que toda a confiança falsamente construída aos poucos desabe, e se torne nesta que me corrói e onde:
Já sou feliz sem o ser
Já sofro sem sofrer
Já acredito sem acreditar
Mas assim mesmo, luto.

Por favor AMOR, exista!
.
J'amour