sábado, 18 de julho de 2009

Palavras ao Vento



Em folhas vivas, desfolhas palavras nuas no corpo luminoso de cada ser.
Onde páginas brilhantes abres, mais suaves que o mais suave favo.
Libertas o medo de noites cansadas e das frias manhãs, soltando as letras.
Voas pelos espaços sem fim, movendo com os olhos um areal de esperanças, tecidas em finas linhas, de traços perfeitos, de grafite e luzes coloridas.
Ditas com ternura, dos céus, à sombra, moldando-as em ramas delicadas.
Do pó do deserto - o ouro; e a prata estelar misturada nos veios das pétalas rubras, de rubras flores perfumadas.
Persigo elas, as palavras, num vôo alto, pela esmeralda mata de devaneios.
E neste alçar ao vento me encontro, sempre me perdendo.
Estranho és, ó visitante, na candura com que enleias e traças frases...
E constrói poesias e sonhos.
Das áureas asas que a brisa suave embala, suspiras de amor e dor.
Mas também sorri, canta e dança...
E então me rendo, nessa doce loucura que apenas eu entendo.
.
J’amour

Lua, ah, Lua

Não te importa com aqueles que te vêem nua?
E por que te importarias?
Eles todos partem e tu, tu continuas
Muda de alma, sempre em fases,
pois sim, és mistério
Pendendo das alturas que
te sustentam por amor...
(Ou dor, de não ser tua)
Quarto crescente, amor crescente
LUA plena, sempre nua
És senhora, és dama, fêmea
De outra forma não poderia ser
Oculta os que amam
Luz e Sombra a desfilar sob a rua
Refletindo o Sol, seu amante
Como faz ao Homem, o corpo da Mulher...

Me dêem uma LUA linda, que me faça sonhar!
.
J’amour

Saudade

Sinto saudade de quando a imensa cidade dos teus olhos me seduziam
sem qualquer pudor, quando me abraçavas e sem cerimônia me pegava no colo,
deixando escorrer o amor, nas palavras suspensas entre nossas bocas,
e te deitavas sobre o meu peito, a vibrar encantado, à porta do desejo.
Sinto saudade de quando as tuas mãos me percorriam, com reverência e ousadia,
como se o meu corpo fosse uma praia ainda intocada,
sulcada por ti em lenta dança,
a cada repuxo das ondas,
sempre à espera da próxima maré.

Sinto saudade.
.
J'amour


sábado, 4 de julho de 2009

Regresso

Regresso plena de espaços percorridos,
depois de naus perdidas, vidas sonhadas,
alegrias descritas, paixões enfeitadas.
Regresso à fonte onde brotam pedaços de mim,
e luzes se mesclam na calma do dia.
Simplesmente volto, porque a saudade aperta,
e o apelo da vida que se estende à minha
frente é enorme ainda.
Feito riacho, deslizei entre cascatas de sonhos
e quedas de pesadelos.
Fui fúria feita de redemoinhos,
tranquilidade de lagos, e o tumulto de corredeiras.
Fui o ardor que se faz ternura ao tocar a tua pele,
quando mergulhavas em mim para me amar.
Fui tua quando meu corpo serpenteava o teu,
alimentando-te a alma, com o elixir dos meus segredos,
que se escondem por trás de cada palavra que escrevo.
E hoje não passo de uma simples gota, a caminho do mar.
.
J'amour

Insisto


Eu sou aquela sem dono.
Sem explicação, nem lógica.
O reflexo no espelho. A foto perdida.
Uma língua esquecida. Um livro sem capa.
Quadro sem moldura. Uma flor selvagem.
Aquela.
Sou a página errada. A esquina virada.
A palavra não dita. Sou teu veneno.
O beijo de amor. O gosto na língua.
O corpo suado. O suspiro do gozo.
Um gemido de dor. A rosa do vento.
Sou reflexo da lua. Seu lado obscuro.
Sim, aquela.A que não existe.
O semblante triste. O olho a chorar.
A trava a boca. A escrita já finda.
Mas que apesar de tudo:
Ainda insiste em sonhar...
.
(Com você!)
.
J'amour



Embriague-se

Singra na ondulação do meu corpo
Sem rumo, sem medo, sem precaução
Deixa eu te guiar pelo toque da minha sedução
Não resistas...
Prenda-se nas redes do meu querer
E faz comigo esta viagem de prazer
Embriague-se no meu regaço
Olha o desejo quente nos meus olhos
E vem...
Vem em mim se perder
Nessa louca geografia
Sem rotas, sem derrotas, sem cansaço
Estás em mim, como o mar na areia
Lambendo-a furioso e docemente
Dissolvendo-te na espuma da minha praia
Lentamente e depois...
Ao compasso do meu corpo junto ao teu
Acelerando no ritmo do teu coração
Naufraga no meu ser, tua paixão
Abraçado a mim, pois é amor o que sinto, ENFIM!
.
J'amour

Encontrar-se

Sozinha estou, calada a pensar
No correr da vida, nos sinais
Penso e 'despenso' em tudo cada vez
E cada vez mais e mais
Perco-me, e me encontro refeita em cada instante inominado
Quando as palavras se tornam mudas, e o tempo?
Fica parado
Inverte-se o silêncio
A luz e a sombra, sol vira lua, e mar o céu
Me fascinam com seus mistérios
E teimam em não me pertencer
Eu me perco no silêncio da dor
E me encontro no esplendor
De mais uma vez amanhecer...

E as palavras escorrem dos meus olhos.
.
J’amour